Electricidade


Electricidade  

Princípios da electricidade

Como vimos, a corrente eléctrica é formada por electrões livres em movimento organizado. A energia eléctrica transportada pela corrente nada mais é do que a energia cinética dos electrões. Assim, nos circuitos eléctricos, a energia cinética dos eléctrons livres pode transformar-se em energia luminosa ou em energia cinética dos motores, por exemplo.
Ao percorrer o circuito, do pólo negativo da pilha até o pólo positivo, os electrões livres perdem totalmente a energia que transportavam. E sem a reposição dessa energia não seria possível a permanência de uma corrente eléctrica.
A função de uma pilha é, portanto, fornecer a energia necessária aos electrões livres do fio, para que eles permaneçam em movimento.


Dentro da pilha, os electrões adquirem energia ao serem levados do pólo positivo ao negativo. Ao chegarem ao pólo negativo, movimentam-se novamente pela parte externa do circuito até alcançarem o pólo positivo, e assim sucessivamente.
Ao levar um certo número de electrões do pólo positivo para o negativo, a pilha cede a eles uma certa quantidade de energia. O valor da energia que esses electrões recebem, dividido pela quantidade de carga que eles têm, é a tensão eléctrica existente entre os pólos da pilha. Nas pilhas comuns, esse valor é 1,5 volt.
Em geral, um circuito eléctrico é constituído por um conjunto de componentes ligados uns aos outros e conectados aos pólos de um gerador. Uma bateria de carro ou uma pilha, pode funcionar como gerador.

 

A electricidade é um ramo da física que estuda os fenómenos que resultam da existência de partículas com carga eléctrica.

Está sujeita à lei da conservação da energia e é uma das formas que esta pode adoptar originando vários fenómenos, tais como caloríficos, mecânicos, luminosos, entre outros.

Dependendo do sinal das cargas eléctricas, estas desencadeiam forças eléctricas de atracção e repulsão. Estas forças possuem uma intensidade que é maior que a das forças gravíticas, sendo originadas mediante distribuições adequadas das cargas, o que provoca o aparecimento de campos eléctricos.

O nome electricidade provém do vocábulo grego elektron que significa âmbar. Tal designação deve-se ao facto de ter sido o filósofo e matemático da Grécia antiga Tales de Mileto, cerca de 600 a. C., que verificou esfregando num pano um corpo de um material designado âmbar que este passava a atrair penas e outros objectos muito leves. Hoje, sabe-se que o âmbar adquire carga eléctrica quando friccionado num pano.

Só muito mais tarde, no século XVI, o médico e cientista William Gilbert descobriu que para além do âmbar, também outras substâncias tinham a capacidade de atrair corpos leves quando friccionadas e decidiu designar essa força de atracção por electricidade.

Foi no século XVIII, com a descoberta do pára-raios por Benjamim Franklin que o estudo pelos fenómenos eléctricos se começou a generalizar.

Em 1800, o físico italiano Alessandro Volta construiu o primeiro gerador de corrente eléctrica contínua: a pilha de Volta.

A produção de electricidade pode apresentar as formas mais diversas: fricção entre dois corpos ou compressão de certos materiais, diferença de temperatura entre dois metais unidos por uma soldadura, por reacções químicas (pilhas e acumuladores) ou por indução electromagnética (dínamos e alternadores).

É nas centrais que se produz a energia eléctrica que chega até nossas casas. Esta é transportada por linhas aéreas ou cabos subterrâneos.

Consoante o tipo de fonte de onde provém a energia, assim é designada a central que lhe corresponde.

As duas centrais mais utilizadas em Portugal para produção de electricidade são as centrais hidroeléctricas e as centrais termoeléctricas.

Uma central hidroeléctrica aproveita a energia das quedas de água (barragens). Assim, quando as comportas de uma barragem abrem, a energia potencial gravítica da água armazenada na albufeira é transformada em energia cinética. Na central, a energia cinética da água é transferida para as pás das turbinas, movendo-as, e estas, por seu lado, accionam os ímans dos geradores eléctricos.

São os geradores que transformam a energia mecânica em energia eléctrica que posteriormente é transferida para habitações, indústrias, hospitais, entre outros locais.

Uma central termoeléctrica aproveita a energia proveniente da queima dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo) ou gás natural. Quando se procede à queima destes combustíveis liberta-se uma grande quantidade de calor que, ao ser transferido para a água, aquece-a e transforma-a em vapor.

Vai ser este vapor o responsável pelo movimento das turbinas que, por seu lado, accionam os ímans dos geradores eléctricos que vão produzir a electricidade que chega até nós.  

Produção de energia eléctrica

  Os geradores foram inventados no século XIX. Em 1831, o cientista inglês Michael Faraday descobriu que passando uma espiral de arame através de um campo magnético provocava um fluxo de electrões - uma corrente eléctrica na espiral de arame. Um gerador eléctrico é basicamente uma espiral metálica que gira num campo magnético ou se mantém estático enquanto o campo magnético gira em torno dela. Se bem que pareça que toda a energia produzida está disponível, as primeira e segunda leis da Termodinâmica dizem-nos que tal não acontece. Como o fluxo de corrente criado na espiral metálica cria um campo magnético que é oposto ao primeiro, provoca resistência ao movimento. Em consequência, alguma energia produzida é convertida em calor e perde-se. Por cada 100 calorias de electricidade produzida, mais de 100 calorias de energia primária pode ser gasta para movimentar o gerador. A utilização deste tipo de energia primária é somente justificada pelo facto de a energia eléctrica ter mais aplicações que a obtida a partir, por exemplo, do carvão. Em geral, por cada 300 calorias de carvão obtêm-se 100 calorias de energia eléctrica.

Na mais generalizada técnica para gerar electricidade, uma fonte de energia primária é utilizada para produzir vapor de água, que produz uma corrente de alta pressão que movimenta a turbina, um sofisticado mecanismo acopulado ao gerador. A combinação da turbina e do gerador denomina-se turbogerador. As fontes de energia primária mais utilizadas actualmente para aquecer a água são o carvão, petróleo, energia nuclear, mas no futuro poderão ser utilizadas a energia solar e a energia geotérmica.

Além das turbinas de corrente, são também utilizadas turbinas a gás ou água. Num turbogerador a gás, a alta pressão dos gases produzida pela combustão do (usualmente) gás natural coloca directamente a turbina em movimento. Numa turbina hidroeléctrica é utilizada água a grande pressão, na base de uma barragem ou de um açude ou de uma queda de água canalizada para movimentar o hidroturbogerador. Turbinas que utilizam a força do vento também existem.

A energia eléctrica é muitas vezes assinalada como sendo a mais limpa e não poluente fonte de energia. Esta afirmação é verdadeira sobre o ponto de vista da sua utilização. A electricidade não cria poluição a não ser calorífica. O que se esconde é que a poluição produzida é simplesmente transferida de um local para outro, pois as fontes de energia primária - carvão, petróleo, energia nuclear, etc. - são poluentes. Mesmo a energia hidroeléctrica implica a construção de barragens para a criação de albufeiras, o que implica a deslocação de populações, campos de cultivo e alteração da vida selvagem agredindo, por vezes, a migração de várias espécies animais.

 

 

Protecção diferencial em ambiente residencial

Interruptores diferenciais residuais não podem faltar no projecto eléctrico de um ambiente residencial.

 

A protecção das pessoas contra choques eléctricos assim como a prevenção de incêndios podem ser assegurados por um só dispositivo : o interruptor diferencial residual.

O choque eléctrico

Poucos miliampéres são suficientes para causarem sérios danos ao corpo humano. A IEC 60479-1 estabeleceu 4 zonas de efeitos fisiológicos:



1 - imperceptível: as correntes abaixo de 0,5 mA podem passar por longos períodos pelo corpo sem causar mal ou reacções (recta A);
2 - perceptível: as correntes abaixo de 10 mA por largos períodos (10s) e acima de 10 mA e tempos decrescentes (desde 10s até 20ms) embora sentidas pelas pessoas, também não causam mal (curva B);
3 - reacções reversíveis : entre as curvas B e C, os valores correspondentes de i e t causam contracção muscular;
4 - possibilidade de efeitos irreversíveis: limitados pelas curvas:
C: não há fibrilação do coração;
D: 5% de probabilidade de fibrilação
E: 50% de probabilidade de fibrilação

A partir desses limites é que foram desenvolvidos os dispositivos de protecção por interrupção da corrente de defeito.
As normas e regulamentos distinguem dois tipos de contactos perigosos:

contacto directo
- se refere ao de uma pessoa ou animal com um condutor que normalmente está energizado;



contacto indirecto - se refere a uma pessoa ou animal que entra em contacto com uma parte condutora que normalmente não está energizada, mas que se torna acidentalmente (devido a uma falha de isolamento ou alguma outra causa).


Os incêndios

Pelo menos 80% dos incêndios em prédios são resultado de uma falta à terra. As principais causas são : a deterioração do cabo de isolamento que causa um sobre-aquecimento, ou um contacto acidental.
Alguns dispositivos eléctricos sofrem deterioração com o tempo, e podem sofrer falhas de isolamento, que gera um risco de choques eléctrico e incêndios.

Todas as medidas de protecção são preventivas, mas a experiência mostrou, que por diversas razões, elas não podem ser consideradas como infalíveis.
Para proteger os usuários nessas circunstâncias, são usados dispositivos de disparo rápido, altamente sensíveis, baseados na corrente residual para a terra. Eles proporcionam uma desconexão automática da fonte com suficiente rapidez para prevenir a morte por electrocussão ou danos à saúde de uma pessoa anteriormente saudável ou o início de um foco de incêndio.

A protecção diferencial
 

Além das protecções de uso comum, esta é proporcionada pelo uso de dispositivos os quais operam com correntes de fuga de 30 mA (contra choques eléctricos) ou 300 mA (contra incêndios) e são referidos como dispositivo à corrente diferencial - residual , de acordo com as normas IEC 61008-2-1 e 61009-2


 


Estes dispositivos operam pelo princípio da medição da corrente diferencial, por qualquer diferença entre a corrente que entra e a que sai.

Tipo de Protecção

Sensibilidade

Protecção das pessoas

30 mA

Protecção contra incêndio

300 mA


Estes dispositivos podem ser classificados, em relação ao seu tempo de desconexão, em: instantâneo e selectivo , fazendo com que as protecções contra choque eléctrico e incêndio possam ser combinadas em uma mesma instalação e ainda proporcionar selectividade entre elas.